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O que é a retenção na fonte do IRS?

A retenção na fonte é o IRS que a entidade empregadora desconta no salário todos os meses e entrega ao Estado por sua conta, como adiantamento do imposto anual.

4 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

A retenção na fonte é o IRS que a entidade empregadora desconta no salário todos os meses, como adiantamento por conta do imposto que será acertado na declaração anual. Em 2026, o valor é calculado por tabelas oficiais que aplicam uma taxa marginal e descontam uma parcela a abater, conforme o salário, a situação fiscal e os dependentes. Salários até 920 € estão isentos de retenção. Na declaração anual faz-se a conta certa: se reteve a mais, recebe reembolso; se reteve a menos, paga a diferença.

O que é a retenção na fonte do IRS?

A retenção na fonte é o IRS que é descontado no salário todos os meses. Não é um imposto diferente: é um adiantamento do IRS. Em vez de pagar tudo de uma vez no ano seguinte, vai entregando ao Estado, a cada salário, uma parte do imposto que se prevê devido1.

Quem faz o desconto e a entrega é a entidade empregadora (ou a entidade que paga a pensão): retém o valor no recibo e entrega-o à Autoridade Tributária em nome do trabalhador. Por isso aparece no recibo de vencimento como "IRS" ou "retenção na fonte".

Como se calcula a retenção na fonte?

Desde o segundo semestre de 2023, a retenção usa um modelo de taxas marginais, parecido com a forma como o IRS é apurado no fim do ano. A cada escalão de salário correspondem dois valores na tabela oficial: uma taxa marginal máxima e uma parcela a abater2. A fórmula é:

Retenção = Salário × Taxa marginal máxima − Parcela a abater − (Parcela por dependente × n.º de dependentes)

O resultado nunca é inferior a zero. Este modelo evita "saltos" injustos: antes, um pequeno aumento de salário podia fazer cair noutro escalão e reduzir o líquido. Agora a retenção sobe de forma suave.

Qual a tabela certa para a sua situação?

É aqui que muita gente se engana. A situação fiscal escolhe a tabela a aplicar:

A sua situaçãoTabelaParcela por dependente
Não casado, sem dependentesTabela In/a
Não casado, com dependentesTabela II34,29 €
Casado, dois titulares (ambos com rendimentos)Tabela I21,43 €
Casado, único titular (só um tem rendimentos)Tabela III42,86 €

A diferença é real: o casado, único titular retém menos do que o casado, dois titulares, porque a tabela assume que aquele salário sustenta o casal. Indicar mal a situação faz reter a mais ou a menos.

Que salários estão isentos de retenção?

Em 2026, ficam dispensados de retenção na fonte os salários mensais até 920 € (o valor da remuneração mínima mensal garantida), e até 991 € no caso de casado, único titular. Quem ganha o salário mínimo continua, por isso, sem desconto de IRS no recibo ao longo do ano.

Atenção: estar isento de retenção não é o mesmo que não ter IRS. Significa apenas que não há adiantamento mensal; a conta final faz-se na declaração anual.

Exemplo prático: um salário de 1 500 €

Imagine um salário bruto de 1 500 € por mês, não casado e sem dependentes. Pela Tabela I, este salário cai no escalão com taxa marginal de 24,1 % e parcela a abater de 193,33 €:

  1. 1 500 € × 24,1 % = 361,50 €
  2. − 193,33 € (parcela a abater)
  3. = 168,17 € de IRS retido por mês (uma taxa efetiva de cerca de 11,2 %).

Com um dependente, passaria a usar a Tabela II e a retenção desceria para 133,88 € (menos 34,29 € pelo dependente). A estes valores há que somar, à parte, os 11 % da Segurança Social (165 € neste salário). Faça a conta com o seu caso na calculadora de retenção na fonte.

Qual a diferença entre a retenção na fonte e o IRS?

A retenção é um pagamento por conta, feito mês a mês. O IRS devido é o imposto final, apurado na declaração anual, já com as suas deduções (saúde, educação, despesas gerais) e a situação familiar completa.

A tabela de retenção tenta aproximar-se desse valor, mas raramente acerta ao cêntimo. Daí o que acontece na primavera seguinte:

  • Se reteve a mais durante o ano, o Estado devolve a diferença: é o reembolso.
  • Se reteve a menos, paga a diferença na declaração.

Por isso, uma retenção alta não é "perder dinheiro": é apenas adiantar mais imposto, que pode voltar como reembolso.

A retenção inclui a Segurança Social?

Não. No recibo há dois descontos com naturezas diferentes:

  • A retenção na fonte é o IRS (o imposto sobre o rendimento).
  • Os 11 % da Taxa Social Única são a contribuição para a Segurança Social (que dá direito a reforma, desemprego, doença).

Esta calculadora mostra só o IRS. Para ver o salário líquido com os dois descontos juntos, veja como é calculado o salário líquido e use o simulador de salário líquido.

Erros comuns

  • Pensar que a retenção é o IRS final

    A retenção é só um pagamento por conta, feito mês a mês. O IRS devido apura-se na declaração anual, com as suas deduções e situação completa. A diferença entre o retido e o devido dá o reembolso ou o valor a pagar.

  • Usar a tabela errada para a sua situação

    A tabela depende do estado civil e de quem tem rendimentos. Casado em que ambos trabalham usa a Tabela I; casado em que só um tem rendimentos usa a Tabela III, que retém menos. Indicar mal a situação faz reter a mais ou a menos.

  • Confundir a retenção com a Segurança Social

    São dois descontos diferentes no recibo. A retenção na fonte é o IRS; os 11 % da Taxa Social Única são a contribuição para a Segurança Social. Esta conta cobre só o IRS.

Perguntas frequentes

O que é a retenção na fonte do IRS?
É o IRS que a entidade empregadora desconta no salário todos os meses e entrega ao Estado por sua conta. Funciona como um adiantamento do imposto: na declaração anual acerta-se a conta e devolve-se o que foi retido a mais (reembolso) ou paga-se o que faltou.
Como se calcula a retenção na fonte?
Desde o segundo semestre de 2023, a tabela aplica uma taxa marginal máxima ao salário e desconta uma parcela a abater (e uma parcela por cada dependente). A retenção é o salário vezes a taxa, menos a parcela a abater, menos a parcela por dependente, nunca abaixo de zero.
Que salários estão isentos de retenção na fonte?
Em 2026, estão dispensados de retenção os salários mensais até 920 € (a remuneração mínima), e até 991 € no caso de casado, único titular. Isso não significa que não há IRS no ano, apenas que não há adiantamento mensal.
Qual a diferença entre a retenção na fonte e o IRS?
A retenção é um pagamento por conta do IRS, feito a cada salário. O IRS devido é o imposto final, apurado na declaração anual com as deduções e a situação familiar. A retenção tenta aproximar-se desse valor, mas raramente é exatamente igual, daí o reembolso ou o acerto a pagar.
Os dependentes reduzem a retenção na fonte?
Sim. Por cada dependente, a tabela desconta uma parcela fixa: 21,43 € (casado, dois titulares), 34,29 € (não casado com dependentes) ou 42,86 € (casado, único titular). A partir de três dependentes há ainda uma redução de 1 ponto percentual na taxa marginal.

Fontes

  1. 1.Despacho n.º 233-A/2026, de 6 de janeiro, tabelas de retenção na fonte do IRS para o Continente em 2026Diário da República · consultado a 6/06/2026
  2. 2.Código do IRS, Art. 99.º a 99.º-F, retenção na fonte sobre rendimentos do trabalho dependente e pensõesDiário da República · consultado a 6/06/2026

Autor / Revisto por

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Thorben Rasmus Idel

Co-founder & writer

Co-founder of Calculadora Capital and the writer behind the methodology on every calculator and article. An entrepreneur and active investor, Thorben founded Idel Versandhandel GmbH, an international trading company operating across 16 countries, and invests across stocks, ETFs and cryptocurrency. He writes the methodology and verifies the math behind each page, drawing on hands-on business and investing experience to keep the tools and explanations grounded in how money, markets and taxes actually work for everyday people in Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Co-founder & reviewer

Co-founder of Calculadora Capital and the independent reviewer behind every calculator and article. An entrepreneur and active investor, Nahar brings a data- and product-driven mindset together with hands-on experience in the markets — investing across stocks and ETFs as well as cryptocurrency and other digital assets, alongside broader personal finance and real estate. On each page Nahar reviews the methodology and double-checks the math and figures, pressure-testing how the tools and explanations hold up against the way money, markets and taxes actually work for everyday investors.

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