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Calculadora Capital

O que são juros compostos? Guia simples com exemplos

Os juros compostos fazem o seu dinheiro render sobre o que já rendeu. Com tempo, a diferença face aos juros simples torna-se enorme.

7 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

Juros compostos são juros que rendem sobre o capital E sobre os juros já acumulados. Ao contrário dos juros simples, a base de cálculo cresce a cada período, por isso o crescimento acelera com o tempo.

O que são juros compostos?

Juros compostos são os juros que rendem sobre o capital e também sobre os juros já acumulados. A cada período, os juros ganhos juntam-se ao saldo, e no período seguinte rendem juros também eles. É o "juro sobre juro"1.

A consequência prática: a base sobre a qual os juros são calculados cresce sozinha, e o saldo aumenta de forma cada vez mais rápida.

Qual a diferença entre juros simples e compostos?

Nos juros simples, os juros são calculados sempre sobre o capital inicial, a base nunca muda. Nos juros compostos, a base inclui os juros já creditados, por isso cada período rende um pouco mais do que o anterior.

Em prazos curtos a diferença é pequena. Em prazos longos torna-se enorme: é por isso que os juros compostos são tão referidos em poupança e investimento de longo prazo.

Como se calculam?

Com capitalização mensal e contribuições regulares, o valor futuro é:

VF = P·(1+i)^n + PMT·((1+i)^n − 1) / i

onde P é o capital inicial, PMT a contribuição mensal, i a taxa anual dividida por 12 e n o número de meses. Não precisa de fazer as contas à mão: pode usar a nossa calculadora de juros compostos e ver o resultado ano a ano.

Porque é que o tempo é tão importante?

Porque cada ciclo de capitalização rende sobre um saldo maior. Com 1 000 € iniciais e 100 € por mês a 5% ao ano, ao fim de 10 anos investe 13 000 € e termina com cerca de 17 175 €. Mais de 4 000 € vêm só dos juros. Quanto mais cedo começar, mais ciclos acontecem.

O efeito não é linear, é exponencial: nos primeiros anos a diferença para os juros simples parece pequena, mas acelera. Nos mesmos 1 000 € a 5%, o juro simples renderia 50 € por ano, sempre igual; com capitalização, o juro do ano 10 é calculado sobre um saldo já muito maior do que no ano 1. É por isso que adiar o início custa tão caro, não se perde só um ano de contribuições, perde-se um dos ciclos mais valiosos, o último.

A regra dos 72: em quanto tempo o dinheiro duplica

Há um atalho mental simples para estimar, sem fazer contas, quanto tempo um investimento demora a duplicar com juros compostos: a regra dos 72. Divide-se 72 pela taxa anual (em percentagem) e obtém-se o número aproximado de anos. A 6% ao ano, o capital duplica em cerca de 72 ÷ 6 = 12 anos; a 4%, em cerca de 18 anos; a 8%, em apenas 9. É uma aproximação, não um cálculo exato, mas mostra de forma intuitiva como taxas mais altas e prazos mais longos se reforçam um ao outro.

A mesma regra funciona ao contrário e ajuda a ter noção do risco oposto: aplicada à inflação, indica em quanto tempo os preços duplicam e o poder de compra do dinheiro parado cai para metade. A 3% de inflação, isso acontece em cerca de 24 anos, o mesmo motor de capitalização, agora a trabalhar contra si.

Mensal, anual ou diária: a frequência de capitalização

A frequência com que os juros são creditados também influencia o resultado. Quanto mais frequente a capitalização, mais cedo os juros começam, eles próprios, a render:

  • Anual: os juros são creditados uma vez por ano.
  • Mensal: creditados 12 vezes por ano (o mais comum em contas-poupança e simulações).
  • Diária: creditados todos os dias, o limite prático do efeito.

A diferença entre anual e mensal existe, mas é modesta face ao impacto do tempo e da taxa. A nossa calculadora usa capitalização mensal, um bom ponto de partida realista.

Taxa nominal e taxa efetiva (TAE)

Quando os juros capitalizam mais do que uma vez por ano, há duas taxas a distinguir. A taxa nominal é a que aparece anunciada. A taxa anual efetiva (TAE) traduz quanto o dinheiro rende de facto ao longo de um ano, já depois de contar com a capitalização, e é sempre ligeiramente superior à nominal quando a capitalização é infra-anual (mensal, trimestral ou diária).

Um exemplo: 6% nominais com capitalização mensal correspondem a cerca de 6,17% efetivos, porque os juros de cada mês já rendem nos meses seguintes. A diferença é pequena nas taxas baixas, mas cresce com a taxa e com a frequência. Por isso, ao comparar dois produtos com frequências de capitalização diferentes, deve olhar para a taxa efetiva e não para a nominal, só assim a comparação é justa.

O papel das contribuições regulares

O capital inicial é só o começo. Contribuições mensais constantes somam-se ao saldo e passam, elas próprias, a gerar juros. Duas pessoas com a mesma taxa e prazo podem terminar com valores muito diferentes consoante quanto adicionam todos os meses. Na prática, a regularidade costuma pesar mais do que tentar acertar no "momento certo".

Juros compostos e inflação

Há um senão importante: a inflação reduz o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo. Um saldo nominal que cresce 5% ao ano, com inflação de 2%, cresce cerca de 3% em termos reais. Os juros compostos continuam a ser uma força poderosa, mas vale a pena pensar nos resultados em termos reais, não apenas no número nominal.

Juros compostos e impostos

Há um terceiro fator, além do tempo e da taxa, que muda o resultado real: os impostos. Em Portugal, os rendimentos de capitais (como os juros) são, regra geral, tributados a uma taxa liberatória de 28%, retida na fonte2. Na prática, o que capitaliza ano após ano não é o juro bruto, mas o juro líquido de imposto.

O efeito é o da capitalização, mas em sentido inverso: uma taxa de 5% bruta equivale a cerca de 3,6% líquidos, e é sobre esse valor menor que os juros futuros vão render. Por isso, ao projetar o crescimento de uma poupança a longo prazo, vale a pena raciocinar em termos líquidos, e, idealmente, também em termos reais, descontando a inflação. Pode ver o impacto concreto do imposto no simulador de depósito a prazo.

Quando os juros compostos jogam contra si

O mesmo mecanismo que faz a poupança crescer pode trabalhar contra quem tem dívidas. Num cartão de crédito ou num descoberto bancário, os juros que não são pagos juntam-se ao montante em dívida e passam, eles próprios, a vencer juros. É capitalização, só que a favor do credor. É por isto que uma dívida de cartão a uma taxa elevada cresce tão depressa quando não é liquidada por inteiro todos os meses: o saldo do mês seguinte já inclui os juros do anterior.

A lição é simétrica e vale a pena guardá-la. Nos investimentos, deixe o tempo capitalizar a seu favor, comece cedo e seja regular. Nas dívidas caras, faça exatamente o contrário: amortize cedo para travar a capitalização antes que ela acelere. Perceber os juros compostos é, no fundo, perceber as duas faces da mesma força.

Erros comuns a evitar

  • Confundir juro simples com composto e subestimar o crescimento de longo prazo.
  • Adiar o início à espera de poder contribuir mais, o tempo perdido raramente se recupera.
  • Esquecer a inflação e os impostos sobre os rendimentos, que reduzem o valor real.
  • Assumir uma taxa fixa garantida, investimentos têm risco; a calculadora é uma estimativa, não uma promessa.

Como começar

Não precisa de fazer as contas à mão. Defina um montante inicial, uma contribuição mensal realista e uma taxa prudente, e veja o resultado ano a ano. O objetivo não é prever o futuro ao cêntimo, mas perceber a ordem de grandeza e como o tempo trabalha a seu favor.

Experimente os seus próprios valores na calculadora de juros compostos, ou compare com o juro simples para ver a diferença que a capitalização faz.

Erros comuns

  • Confundir juros simples com compostos

    Nos juros simples a base nunca muda; nos compostos a base cresce com os juros acumulados.

  • Adiar o início do investimento

    Cada ano a menos retira ciclos de capitalização, começar cedo vale mais do que contribuir muito mais tarde.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre juros simples e compostos?
Os juros simples rendem sempre só sobre o capital inicial. Os compostos rendem também sobre os juros já creditados, pelo que o saldo cresce de forma acelerada ao longo do tempo.
Como se calculam os juros compostos?
Com capitalização mensal e contribuições: VF = P·(1+i)^n + PMT·((1+i)^n − 1)/i, onde i é a taxa anual dividida por 12 e n o número de meses.
Porque é que o tempo importa tanto?
Cada período de capitalização rende sobre um saldo maior. Quanto mais tempo, mais períodos, e o efeito cresce de forma exponencial, não linear.
Os juros compostos pagam impostos?
Em Portugal, os juros são rendimentos de capitais tributados, regra geral, a uma taxa liberatória de 28% retida na fonte. Na prática, é o juro líquido de imposto que capitaliza ano após ano, por isso vale a pena projetar a poupança em termos líquidos.

Fontes

  1. 1.Todos Contam, Portal de educação financeiraBanco de Portugal · consultado a 31/05/2026
  2. 2.Artigo 71.º do Código do IRS, Taxas liberatóriasAutoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 31/05/2026

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Thorben Rasmus Idel

Co-founder & writer

Co-founder of Calculadora Capital and the writer behind the methodology on every calculator and article. An entrepreneur and active investor, Thorben founded Idel Versandhandel GmbH, an international trading company operating across 16 countries, and invests across stocks, ETFs and cryptocurrency. He writes the methodology and verifies the math behind each page, drawing on hands-on business and investing experience to keep the tools and explanations grounded in how money, markets and taxes actually work for everyday people in Portugal.

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Nahar Geva

Co-founder & reviewer

Co-founder of Calculadora Capital and the independent reviewer behind every calculator and article. An entrepreneur and active investor, Nahar brings a data- and product-driven mindset together with hands-on experience in the markets — investing across stocks and ETFs as well as cryptocurrency and other digital assets, alongside broader personal finance and real estate. On each page Nahar reviews the methodology and double-checks the math and figures, pressure-testing how the tools and explanations hold up against the way money, markets and taxes actually work for everyday investors.

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