Segurança Social do trabalhador independente: quanto se paga
O trabalhador independente paga Segurança Social a partir do que declara no trimestre. Veja como se chega da faturação à contribuição mensal.
Resposta rápida
O trabalhador independente paga Segurança Social a partir do que declara, de três em três meses, na declaração trimestral. Sobre o que recebeu nos três meses anteriores apura-se o «rendimento relevante» (70 % na prestação de serviços, 20 % na venda de bens) e a base de incidência mensal é 1/3 desse valor. A contribuição mensal é 21,4 % da base (25,2 % para os empresários em nome individual), com um mínimo de 20 €/mês e um teto correspondente a 12 × IAS de base. Pode ajustar voluntariamente a base em ±25 % e, no primeiro ano de atividade, há, em regra, isenção nos primeiros 12 meses.
Como o trabalhador independente paga à Segurança Social
Ao contrário de quem tem um salário, o trabalhador independente não tem a contribuição descontada automaticamente todos os meses por uma entidade patronal. É ele que declara o que recebeu e paga a sua contribuição para a Segurança Social a partir desse valor. O mecanismo tem três peças: a declaração trimestral, o rendimento relevante e a base de incidência.
A declaração trimestral
Quatro vezes por ano, em janeiro, abril, julho e outubro, o trabalhador independente declara à Segurança Social o que recebeu nos três meses anteriores1. É esta declaração que fixa a base sobre a qual vai contribuir no trimestre seguinte.
A declaração entrega-se mesmo quando não houve rendimento no trimestre. Nesse caso, a base é zero, mas, como veremos, continua a haver um valor mínimo a pagar.
Do rendimento relevante à base de incidência
A taxa não incide sobre tudo o que fatura. Primeiro apura-se o rendimento relevante, que depende do tipo de atividade1:
| Tipo de rendimento | Entra para o rendimento relevante |
|---|---|
| Prestação de serviços | 70 % do valor recebido |
| Venda de bens, hotelaria, restauração e bebidas | 20 % do valor recebido |
A base de incidência contributiva mensal é depois 1/3 do rendimento relevante do trimestre, ou seja, a média mensal dos três meses declarados2.
Base mensal = (70 % dos serviços + 20 % dos bens) do trimestre ÷ 3
A taxa: 21,4 % (ou 25,2 %)
Sobre a base aplica-se a taxa contributiva1:
- 21,4 % para o trabalhador independente (o caso geral);
- 25,2 % para o empresário em nome individual (e o titular de estabelecimento individual de responsabilidade limitada e respetivo cônjuge).
A contribuição mensal é, então, a base × taxa.
O mínimo e o teto
Há dois limites importantes:
- Mínimo: 20 €/mês. A contribuição mensal nunca é inferior a 20 €. Mesmo sem rendimento, ou com rendimento muito baixo, quem está enquadrado paga, no mínimo, 20 € por mês1.
- Máximo: 12 × IAS de base. A base de incidência não pode exceder 12 vezes o IAS por mês. Em 2026, com o IAS em 537,13 €3, isso são 6 445,56 € de base máxima, o que limita a contribuição para os rendimentos mais altos.
Exemplo prático
Imagine que faturou 7 500 € de serviços num trimestre (cerca de 2 500 €/mês):
- Rendimento relevante: 70 % de 7 500 € = 5 250 €.
- Base de incidência mensal: 5 250 € ÷ 3 = 1 750 €.
- Contribuição mensal: 21,4 % de 1 750 € = 374,50 €.
- No trimestre: 374,50 € × 3 = 1 123,50 €.
Faça a conta com os seus valores na calculadora da Segurança Social do trabalhador independente.
O ajuste voluntário de ±25 %
Na declaração trimestral, pode ajustar a base apurada para mais ou para menos, até 25 %, em intervalos de 5 %1. Quem espera um trimestre seguinte muito diferente do anterior usa este ajuste para aproximar a contribuição da realidade, por exemplo, baixar a base quando a atividade abranda, ou subi-la para reforçar a carreira contributiva.
A isenção do primeiro ano
Quem inicia atividade pela primeira vez está, em regra, isento da contribuição nos primeiros 12 meses1. A primeira contribuição obrigatória surge no 12.º mês seguinte ao início da atividade. É um alívio importante no arranque de quem começa por conta própria.
Há ainda a isenção por acumulação: quem tem, ao mesmo tempo, trabalho por conta de outrem que rende pelo menos 1 IAS por mês e um rendimento relevante médio como independente que não excede 4 × IAS pode estar dispensado de contribuir como independente. É um caso específico que a calculadora não trata, mas que vale a pena confirmar na Segurança Social Direta.
Segurança Social não é IRS
Por fim, uma distinção que confunde muita gente: a Segurança Social (esta conta) e o IRS da categoria B são duas cargas diferentes, com regras próprias. Esta calculadora estima apenas a Segurança Social. Para ver as duas em conjunto, com o IRS no regime simplificado e o rendimento líquido, use a calculadora de recibos verdes.
Erros comuns
Pensar que a taxa incide sobre tudo o que se fatura
A taxa de 21,4 % não se aplica ao total faturado, mas à base de incidência, que é 1/3 do rendimento relevante (70 % dos serviços). Na prática, a contribuição fica bem abaixo de 21,4 % do que recebe.
Esquecer a declaração trimestral quando não houve rendimento
A declaração trimestral entrega-se sempre, mesmo sem rendimento. E, enquanto estiver enquadrado, paga o mínimo de 20 €/mês, ainda que não tenha faturado nada.
Confundir a Segurança Social com o IRS
São duas cargas distintas: a Segurança Social (esta conta) e o IRS da categoria B (calculado à parte). Para ver as duas em conjunto, use a calculadora de recibos verdes.
Perguntas frequentes
Quanto paga um trabalhador independente à Segurança Social?
O que é a declaração trimestral da Segurança Social?
Como se calcula a base de incidência contributiva?
Há um valor mínimo a pagar à Segurança Social?
Estou isento da Segurança Social no primeiro ano?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Trabalhadores independentes: taxa contributiva, rendimento relevante e apuramento trimestral — Segurança Social · consultado a 8/06/2026
- 2.Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social — Diário da República · consultado a 8/06/2026
- 3.Portaria n.º 480-A/2025/1, de 30 de dezembro: valor do IAS para 2026 (537,13 €) — Diário da República · consultado a 8/06/2026
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Thorben Rasmus Idel
Co-founder & writer
Co-founder of Calculadora Capital and the writer behind the methodology on every calculator and article. An entrepreneur and active investor, Thorben founded Idel Versandhandel GmbH, an international trading company operating across 16 countries, and invests across stocks, ETFs and cryptocurrency. He writes the methodology and verifies the math behind each page, drawing on hands-on business and investing experience to keep the tools and explanations grounded in how money, markets and taxes actually work for everyday people in Portugal.
Revisto por
Nahar Geva
Co-founder & reviewer
Co-founder of Calculadora Capital and the independent reviewer behind every calculator and article. An entrepreneur and active investor, Nahar brings a data- and product-driven mindset together with hands-on experience in the markets — investing across stocks and ETFs as well as cryptocurrency and other digital assets, alongside broader personal finance and real estate. On each page Nahar reviews the methodology and double-checks the math and figures, pressure-testing how the tools and explanations hold up against the way money, markets and taxes actually work for everyday investors.
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