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Calculadora Capital

Como é calculado o IRS em Portugal?

O IRS é progressivo: cada fatia do rendimento paga a sua taxa. Veja como os escalões transformam o rendimento coletável em imposto.

5 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

O IRS incide sobre o rendimento coletável, o rendimento depois das deduções específicas, não o salário bruto. É progressivo e dividido em nove escalões: cada fatia paga a sua taxa, e só a parte que entra num escalão superior paga a taxa mais alta. A coleta calcula-se aplicando, a cada escalão, uma taxa média (sobre o limite anterior) e uma taxa marginal (sobre o excedente). Os casais podem dividir o rendimento por dois (quociente conjugal).

O que é o IRS?

O IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares) é o imposto anual sobre o rendimento das pessoas em Portugal. Não incide sobre o salário bruto, mas sobre o rendimento coletável: o que sobra depois de retiradas as deduções específicas e outros abatimentos1. É a este valor que se aplicam os escalões.

Este artigo (e o nosso simulador de IRS) explica o cálculo da coleta: o imposto que resulta dos escalões. As deduções à coleta, o mínimo de existência e o reembolso são abordados mais abaixo.

O que é o rendimento coletável?

O rendimento coletável é a base de cálculo do IRS. Para quem trabalha por conta de outrem, parte-se do rendimento bruto e retiram-se as deduções específicas (sobretudo os descontos para a Segurança Social) e outros abatimentos previstos na lei. O resultado é inferior ao salário bruto.

É este valor, e não o salário bruto, que deve introduzir no simulador de IRS. Encontra-o na sua nota de liquidação do IRS.

Como é calculado o IRS?

O IRS é progressivo: o rendimento é dividido em fatias e cada fatia paga a sua taxa. A lei aplica a cada escalão duas taxas1:

Coleta = limite do escalão anterior × taxa média + excedente × taxa marginal

  • A taxa marginal (taxa normal) é a do escalão em que o rendimento cai: a taxa do último euro ganho.
  • A taxa média é a percentagem que, no limite do escalão anterior, já pagou no conjunto das fatias anteriores.

Por isso a taxa que efetivamente paga (a taxa média) é sempre mais baixa do que a marginal. Pode ver as duas, e a conta passo a passo, no simulador de IRS.

Quais são os escalões do IRS em 2026?

Em 2026 mantêm-se nove escalões no Continente, atualizados pelo Orçamento do Estado3. Para cada escalão, a taxa normal (marginal) e a taxa média1:

Rendimento coletávelTaxa normalTaxa média
Até 8 342 €12,5 %12,500 %
8 342 € – 12 587 €15,7 %13,579 %
12 587 € – 17 838 €21,2 %15,823 %
17 838 € – 23 089 €24,1 %17,705 %
23 089 € – 29 397 €31,1 %20,579 %
29 397 € – 43 090 €34,9 %25,130 %
43 090 € – 46 566 €43,1 %26,472 %
46 566 € – 86 634 €44,6 %34,856 %
Mais de 86 634 €48,0 %,

Qual é a diferença entre taxa média e taxa marginal?

É a confusão mais comum. A taxa marginal é a do escalão mais alto que o seu rendimento atinge; a taxa média é o imposto total a dividir pelo rendimento total. Como as primeiras fatias pagam taxas baixas, a média fica sempre abaixo da marginal. Quando alguém diz «estou no escalão dos 24 %», refere-se à marginal, mas a fatura efetiva é menor.

Subir de escalão faz-me receber menos?

Não, é um mito. O IRS é progressivo por fatias: quando o rendimento ultrapassa o limite de um escalão, apenas a parte acima desse limite paga a taxa mais alta. O resto continua a ser tributado às taxas dos escalões inferiores. Ganhar mais nunca faz o rendimento líquido descer; faz apenas subir, ligeiramente, a taxa média.

Exemplo prático

Imagine um rendimento coletável de 20 000 €, em tributação individual. Cai no 4.º escalão (17 838 € a 23 089 €):

  • Parte à taxa média: 17 838 € × 15,823 % = 2 822,51 €.
  • Parte à taxa marginal: (20 000 − 17 838) € × 24,1 % = 521,04 €.
  • Coleta = 2 822,51 + 521,04 = 3 343,55 €.

A taxa média efetiva é de 16,7 %, bem abaixo da marginal de 24,1 %. Se fosse um casal com 40 000 € em conjunto, dividia-se por dois (20 000 €), pagava-se 3 343,55 € sobre cada metade e o total seria 6 687,10 €. Teste o seu caso no simulador de IRS.

Vale a pena entregar o IRS em conjunto?

Os casais (casados ou unidos de facto) podem optar pela tributação conjunta. Nesse caso aplica-se o quociente conjugal2: o rendimento coletável do casal é dividido por dois, calcula-se o imposto sobre essa metade e o resultado é multiplicado por dois.

Como os escalões são progressivos, partilhar o rendimento costuma baixar a taxa média, sobretudo quando um dos membros ganha muito mais do que o outro. Quando os rendimentos são parecidos, a diferença é pequena. Simule os dois cenários antes de decidir.

E as deduções, o mínimo de existência e o reembolso?

O simulador calcula a coleta (o imposto dos escalões). Faltam ainda passos para chegar ao valor final:

  • Deduções à coleta, despesas de saúde, educação, habitação, o IVA das faturas e outros benefícios que se subtraem à coleta.
  • Mínimo de existência, garante que os rendimentos mais baixos não pagam IRS abaixo de um patamar.
  • Retenção na fonte, o que foi descontado mês a mês; o reembolso (ou pagamento) é a diferença entre a retenção e o imposto final.
  • Taxa adicional de solidariedade e as tabelas regionais dos Açores e da Madeira, que aqui não são calculadas.

Depois de perceber o IRS, pode interessar-lhe o imposto sobre o que ganhou ao vender investimentos: veja o que são mais-valias. Para o imposto anual da casa, leia como é calculado o IMI.

Erros comuns

  • Confundir salário bruto com rendimento coletável

    O IRS não incide sobre o salário bruto. Incide sobre o rendimento coletável, o que sobra depois das deduções específicas (como os descontos para a Segurança Social) e outros abatimentos. É um valor mais baixo, e é o que deve usar no simulador.

  • Pensar que subir de escalão tributa todo o rendimento à taxa mais alta

    O IRS é progressivo por fatias. Quando se «sobe de escalão», apenas a parte do rendimento acima do limite anterior é tributada à taxa mais alta; o resto continua a pagar as taxas dos escalões inferiores. Por isso ganhar mais nunca reduz o rendimento líquido.

  • Assumir que a tributação conjunta compensa sempre

    O quociente conjugal divide o rendimento do casal por dois antes de aplicar os escalões. Compensa sobretudo quando os rendimentos dos dois membros são muito diferentes; quando são parecidos, a diferença é pequena. Vale a pena simular os dois cenários.

Perguntas frequentes

Como é calculado o IRS?
Aplicam-se os escalões do Art. 68.º ao rendimento coletável. A parte até ao limite do escalão anterior é tributada à taxa média desse escalão e o excedente à taxa marginal do escalão em que o rendimento cai. O resultado é a coleta, antes das deduções à coleta.
O que é o rendimento coletável?
É o rendimento sobre o qual o IRS incide, depois de retiradas as deduções específicas (como os descontos para a Segurança Social) e outros abatimentos. Não é o salário bruto e consta da nota de liquidação do IRS.
Quais são os escalões do IRS em 2026?
Em 2026 há nove escalões no Continente, com taxas marginais que vão de 12,5 % (até 8 342 €) a 48 % (acima de 86 634 €). Cada escalão tem também uma taxa média, usada no cálculo da coleta.
Qual é a diferença entre taxa média e taxa marginal?
A taxa marginal é a taxa do último euro ganho, a do escalão em que o rendimento cai. A taxa média é a percentagem do rendimento total que efetivamente paga de imposto, sempre mais baixa do que a marginal porque as primeiras fatias pagam taxas menores.
Subir de escalão faz-me receber menos?
Não. Só a parte do rendimento que entra no escalão superior paga a taxa mais alta; o resto continua a pagar as taxas dos escalões inferiores. Ganhar mais aumenta ligeiramente a taxa média, mas nunca faz o rendimento líquido descer.
Vale a pena entregar o IRS em conjunto?
Depende. A tributação conjunta divide o rendimento do casal por dois antes de aplicar os escalões (quociente conjugal), o que costuma compensar quando os rendimentos dos dois membros são muito diferentes. Quando são parecidos, a diferença é pequena.

Fontes

  1. 1.Código do IRS (CIRS), Artigo 68.º (Taxas gerais)Autoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 1/06/2026
  2. 2.Código do IRS (CIRS), Artigo 69.º (Quociente conjugal)Autoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 1/06/2026
  3. 3.Lei n.º 73-A/2025, Orçamento do Estado para 2026 (atualização dos escalões)Diário da República · consultado a 1/06/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Co-founder & writer

Co-founder of Calculadora Capital and the writer behind the methodology on every calculator and article. An entrepreneur and active investor, Thorben founded Idel Versandhandel GmbH, an international trading company operating across 16 countries, and invests across stocks, ETFs and cryptocurrency. He writes the methodology and verifies the math behind each page, drawing on hands-on business and investing experience to keep the tools and explanations grounded in how money, markets and taxes actually work for everyday people in Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Co-founder & reviewer

Co-founder of Calculadora Capital and the independent reviewer behind every calculator and article. An entrepreneur and active investor, Nahar brings a data- and product-driven mindset together with hands-on experience in the markets — investing across stocks and ETFs as well as cryptocurrency and other digital assets, alongside broader personal finance and real estate. On each page Nahar reviews the methodology and double-checks the math and figures, pressure-testing how the tools and explanations hold up against the way money, markets and taxes actually work for everyday investors.

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